2017 | COREIA DO SUL | Drama, Comédia | 1h 45m

18 A 20 JUNHO
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MICROHABITAT
(Jeon Go-woon)

Whisky e cigarros, as únicas coisas que mantém a dignidade dela nessa cidade. 
Miso vive dia após dia fazendo faxinas. Whisky e cigarros, as únicas coisas que fazem ela sobreviver ao dia. Quando o governo duplica o preço do cigarro, Miso decide abrir mão de sua casa por cigarros e whisky, fazendo uma lista de amigos que podem emprestar um quarto para ela dormir. Ela visita seus ex-colegas de banda, que ela não vê há muito tempo. 

HORÁRIO | Disponível na plataforma Todesplay entre 20h do dia 18 de junho e 20h do dia 20 de junho



19 JUNHO | 18H
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DEBATE
com Carol Almeida
mediação de Glênis Cardoso 

Carol Almeida
Doutora no programa de pós-graduação em Comunicação na UFPE, com pesquisa centrada no cinema contemporâneo brasileiro. Faz parte da equipe curatorial do Festival Olhar de Cinema/Curitiba desde 2017, e já participou da curadoria do Recifest, da Mostra Sesc de Cinema e, mais recentemente, da 2ª Mostra de Cinema Árabe Feminino. Dá oficinas sobre crítica de cinema, curadoria, cinema brasileiro contemporâneo e representação de mulheres no cinema. Integrou júris de festivais como Tiradentes, Mostra de São Paulo, FestCurtas BH, Janela de Cinema e Animage. Escreve sobre cinema no blog foradequadro.com
Glênis Cardoso
Glênis Cardoso transita entre a produção audiovisual, a crítica cultural e a curadoria de mostras e festivais. Foi uma das idealizadoras do projeto Verberenas, revista online que se propõe desde 2015 a promover diálogos sobre cultura audiovisual pela perspectiva de mulheres realizadoras. É criadora, produtora e host do méxi-ap, podcast sobre arte e cultura.
CURADORIA SESSÃO #2
Foi uma experiência muito rica poder presenciar o processo de curadoria da primeira Sessão Verberenas, encabeçada pela minha querida parceira e amiga Letícia Bispo. Lembro que na época que ela nos enviou o filme Porta para o Céu (1989), de Farida Benlyazid, ela também nos mandou um longo comentário sobre sua escolha e um trecho em particular me chamou atenção: "Há coisas que certamente podem nos chocar ou fazer virar os olhos, como feministas ocidentalizadas que somos. Ou seja, acho que pode render um bom debate!”

Esse trecho permaneceu comigo desde então, pois ele fala de muitas coisas que eu acredito serem fundamentos do nosso trabalho no Verberenas: a consciência dos nossos pontos cegos, a abertura para a discordância e o diálogo que nasce do tensionamento. A partir dessa primeira experiência curatorial, senti que havia uma grande liberdade nesse processo. Até então, algo vinha alimentando certa ansiedade em relação às Sessões Verberenas na minha cabeça. Tinha a ver com o fato de que teríamos um número muito limitado de sessões ao longo do ano, e de sermos uma das poucas revistas feministas sobre cinema do país. Inconscientemente, eu tinha absorvido a ideia de que, nesse espaço rarefeito, precisávamos escolher filmes "importantes", ou que, no mínimo, se alinhassem a uma sensibilidade estético-política impecável.

A liberdade que senti a partir das trocas com as minhas parceiras de curadoria Amanda e Letícia me permitiu escolher Microhabitat (2017), da diretora sul-coreana Jeon Go-woon, para nossa segunda sessão. Trata-se de um filme "pequeno", pelo que quero dizer que não é um filme que se pretende urgente ou incontornável. Jeon Go-woon parece segura em suas escolhas de se debruçar sobre aquilo que aparenta menor importância. Há uma atenção dedicada, por exemplo, aos elementos não humanos que trazem, paradoxalmente, uma enorme humanidade e graça para momentos que poderiam se perder em uma única nota de melancolia. Há também o zelo que vemos nos planos que se demoram sobre o trabalho doméstico: o limpar, o cozinhar, o cuidar; o corriqueiro sob um olhar dedicado que nos lembra do quanto esse trabalho historicamente invisível é fundamental.

Há, também, o fato de que é um filme que se alinha à minha sensibilidade estética e política, um filme que trata de assuntos como a solidão e a falta de perspectiva de uma geração a qual eu pertenço, um filme cuja escolha pelo prazer cotidiano me enche de afeto. Existe, é claro, uma enorme vulnerabilidade em fazer uma escolha pautada pelo afeto. Na liberdade que encontrei no processo de curadoria, me acalentou a possibilidade de colocar minha subjetividade como um componente importante para a decisão final e eu vejo nisso mais um fundamento do trabalho do Verberenas: o reconhecimento do nosso lugar no mundo e que esse lugar influencia como será nosso encontro com os filmes. Somos corpos colidindo com os corpos dos filmes e essas colisões são únicas.

Espero que essas colisões gerem diálogos, embates, discordâncias e convergências também.

Boa sessão a todas!
Glênis Cardoso